O que impede de sermos assertivos?

O que impede de sermos assertivos?

Por Melissa Antonychyn para o RH.com.br

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Temos a necessidade de expressar nossas próprias verdades, comumente baseadas nas histórias de vida e marcadas pelas experiências vivenciadas com a família, amigos, religião, enfim, com o meio ambiente em que experimentamos as mais tocantes situações. Essas experiências únicas formam a base das crenças e dos valores que norteiam as escolhas e as diferentes formas com as quais nos relacionamos ao longo da vida. Tudo isso faz com que queiramos preservar nossas opiniões, imagem e ideias perante a sociedade.
Na ansiedade de defender nossos pontos de vista ou paralisados pelo medo de magoar ou contrariar o outro, muitas vezes assumimos dois tipos de comportamentos que são totalmente contrários à assertividade, característica que possibilita atender nossas vontades e necessidades sem que pra isso seja preciso desrespeitar o espaço alheio.
O primeiro desses comportamentos pode ser observado quando não permitimos que alguém apresente ideias contrárias às nossas, numa tentativa de provar que sempre temos razão, que se aceitarmos a opinião do outro seremos tachados de fracos ou indecisos. Desta forma, monopolizamos as conversas, usamos as expressões do nosso corpo para intimidar, elevamos o tom de voz, assumimos atitudes frias e distantes no relacionamento interpessoal e, se ainda não for suficiente, buscamos fatos ou erros do passado para que a outra pessoa sinta-se acuada e recue em sua posição.
Tais comportamentos demonstram a agressividade, uma das defesas mais comuns no meio corporativo para afastar a possibilidade de um diálogo em que ambos possam expressar suas verdades. A agressividade pode ser entendida como uma luta de poder que em toda situação de conflito deverá sempre haver um perdedor e um ganhador. A agressividade conduz a relacionamentos difíceis, pois quando uma pessoa sente-se acuada, sua reação natural é criar resistências, não cooperar e não compartilhar informações e outros recursos, gerando uma série de dificuldades para a solução de problemas e o atingimento dos resultados esperados pelas corporações.
Já o segundo comportamento é exatamente o contrário do primeiro, onde na tentativa de conseguir a aprovação e aceitação dos colegas de trabalho, familiares e amigos, esquecemos nossas verdades de lado e evitamos qualquer tipo de posicionamento, deixando-nos levar por aquilo que o outro considera correto, agindo de forma inteiramente passiva e buscando não criar nenhum tipo de dificuldade.
Ao adotar uma postura frágil como essa, perdemos o controle sobre nossas próprias vidas, pois o outro passa a ter a prerrogativa de decidir o que é melhor para nós, o que iremos priorizar, qual o projeto que prevalecerá, chegando nas relações familiares a interferir até mesmo em questões que são inteiramente individuais como, por exemplo, a graduação que devemos cursar, o melhor parceiro para o casamento e outras situações que somente cada um tem a clareza do que é melhor para si mesmo.
Quando agimos de forma passiva não expressamos nossas necessidades, pensamentos e sentimentos, nossa comunicação verbal e não verbal transmite insegurança e nosso tempo fica escasso e mal utilizado em função da quantidade de tarefas assumidas que nunca são entregues no prazo, que vem reforçar um sentimento de incompetência, gerando desconfiança nos outros.
Podemos concluir que tanto os comportamentos agressivos como os passivos são formas ilusórias e extremadas de defesa que nos afastam do comportamento assertivo tão necessário para nossa autoestima e realização pessoal e profissional. Pensem nisto!